(Source: breve-notas, via ca-tivar)
“A moça era doce, não poderia negar mesmo se quisesse, seria blasfêmia mentir tão descaradamente. Não doce enjoativo com aquele soar de sonsa que repelia quem trocava uma ou duas palavras no decorrer do dia, mas em pequenas doses, fazendo-o ansiar por mais, desejando segurar-lhe a mão e pedir que fique um pouco mais. Queria imaginar seu gosto, seu olhar de travessa que lhe fazia sorrir. Ela era assim, desenhadora de sorrisos. Era passar por seu caminho e ser contagiado por sua gentileza. Era mulher, via em seus olhos marcas escondidas no coração. Era criança, há quilômetros enxergavam seus sonhos de felizes para sempre. E pensavas que, com ela, felicidade e eternidade eram cabíveis. Quase certas. Aquela menina, de tão apaixonada, tornou-se apaixonante. Era vê-la passar, que seus olhos céticos tornavam-se ternos, e seu peito sombrio transformava-se em jardim. E nele havia flores. Veja só, flores! E era assim que a chamava, a moça das flores. Que de seu coração fez jardim; e de seu peito, morada.”
(via inviavel)
“Os dias nulos tomam vida e nos rendem, nos deixam correr. A espera foi tão escassa quanto à chuva onde habito, não há poças nas ruas, nem lágrimas nos olhos. Os tempos de secas são os piores dos 50 anos dos quais vivi 70. Tenho vinte a mais dos que choram, dos que já se molharam entre pernas ou entre braços. As respostas estavam aqui em séculos cinzas e canetas douradas, penas voavam sobre a peça e sentenças eram secretas. Não nos molhávamos, nos queixávamos da falta da pele queimada, nos emburrávamos com o pé vermelho da cor da terra, era só a troca. Era a recompensa por andar de pés descalços em terra úmida. Nos tempos das rachaduras, nos abriam buracos onde não existiam pele, buracos internos e assustadores a luz do dia, buracos negros sem fim, sem a luz do trem no fim do túnel, não havia bagagem nem passageiro naquela passagem. Não pagávamos com papéis coloridos esculpidos em números, pagávamos com a razoável forma dos dedos, de como vivíamos cuspindo papéis sujos em amores limpos. Cuspíamos nossas sexuais histórias e invenções nojentas em livros para iludir os adoradores da ilusão, éramos escravos de buracos e pés rachados, éramos presos por amar e a sentença era só a morte. Sentíamos poder, nos jogaríamos de mais 70 abismos em uma madrugada, queríamos morrer de dor, morrer de amor, a dor de morrer do amor traziam orgasmos e em seguidas suicídios. Pernas quebradas e olhos pra fora, secos. Olhos secos, sem cílios. Bocas lacrados e dedos falantes, não tínhamos o direito da voz, nos sucumbíamos pelos próprios desprezíveis desejos de amar. Tínhamos a intenção, mas faltava a atenção de quem nos lê.”
— Hélida Carvalho
(Source: recantos, via inviavel)
“Deslizam em meus dedos os anéis do tempo. Homeopaticamente. Sonho com o prefácio do fim; presente desconhecido que sequer sei de sua utilidade ou instrução para uso, apenas preciso. Esqueço-me procurando etiquetas ou pistas da fala seguinte, pois a plateia permanece mórbida. Perco-me nas horas, o que foi dito ou omitido vira cinza se uma pena pende dos céus. Falta-me atenção aos detalhes importantes. Queria teletransportar-me para o momento seguinte, em seguida para mais adiante e depois retornar à origem de minha esquizofrenia. Estou sempre à frente do resultado se possuo o domínio da situação. Folheio revistas de trás para frente, insuspeitadamente pincelo os olhos na página seguinte antes de terminar a leitura da atual. Basta a decisão estar em minhas mãos. Agradeço ao vento por não estar. Pressinto o acontecimento de algo maior e pior se eu mesma decidisse por onde começar o fim. Poderia prender-me ao futuro mais distante de todos, ou viver em mundos paralelos com o pensamento avoado de uma era ainda inexistente. Conformo-me desde já com viagens pequenas, obtidas em noites mal dormidas ou devaneios ocasionados por renuncias e avanços.”
— Bruna Cassiano
(Source: ultrajes, via inviavel)
“Eu espero por você, pelo toque que nunca houve, pelo carinho que nunca se fez completo e pelo amor que ainda não se eternizou. Fere-me conviver com apenas o desejo de ter-te ao meu lado, acariciando o meu corpo, sorrindo para mim e iluminando os meus dias com o brilho dos seus olhos, mas a alegria chega ao lembrar-me de que um dia deixará de ser desejo e se tornará eterno. A cada momento do dia, me pego pensando no calor dos seus beijos, no aconchego dos seus abraços e na felicidade que tomará conta de mim quando eu finalmente selar o nosso amor com um toque, um beijo, um abraço, um carinho ou um simples sorriso sincero. Não importa se o nosso momento chegar daqui a dois dias, dois anos ou cinco, o que realmente importa é que eu sei que vai chegar e que seremos um casal feliz e completo, finalmente. Saibas que você aquece a minha vida e protege o meu mundo de todo o mal que ousa chegar perto. Eu transbordo amor por você, eu vivo pra te fazer feliz e a reciprocidade é o que me sustenta dia após dia. E apesar de todos os obstáculos que já vencemos e todas as barreiras que ainda estão por vir, eu sei que o nosso sentimento prevalecerá sempre e nos fará chegar à eternidade. Eu necessito dos seus abraços, mas saberei esperar por eles.”
— Emilly Antunes, o sonho de um toque.
(Source: escritosdaalma, via inviavel)
(Source: ventodemaio, via c-ongelada)
Mas meu bem, quem foi que disse que isso é algo que podemos controlar? Não é como um pássaro que com um bom plano você prende e deixa em um canto, impedindo que cante ou que escolha seu caminho. O amor, meu caro, é algo que por mais que você tente, por mais que evite ou busque uma forma de controlar, ele chega. E quando chega te faz olhar o mundo com outros olhos, te derruba, mexe com os seus pilares e é capaz quem sabe, de mudar até a sua cor favorita. Ás vezes é uma doença, te faz perder noites de sono, causa choro, causa dor, calafrios e arrepios. Outras vezes é um mundo novo, um pouco mágico, um pouco mais azul, um pouco “tudo-que-eu-esperei”. Mas com certeza, não é algo que se pode controlar. Você se apaixona, acontece. Você se decepciona, acontece - E muitas vezes. Mas não meu caro, não se controla. Não se pode olhar para dentro do peito e dizer ” Ei, pare de senti, pare agora “, não tem como jogar todos os sentimentos em uma caixinha e separar o que quer e o que não quer sentir, não há forma de pegar um pássaro que voa muito acima de você. Você apenas… Sente.
(via me-reamar)
“A vida é feito andar de bicicleta: Se parar você cai. Vai em frente sem parar, que a parada é suicida, porque a vida é muito curta e a estrada é comprida. Você sobe e você desce na escada da vida e às vezes parece que a batalha tá perdida e que você voltou pro ponto de partida. Vai à luta, levanta, revida! Vai em frente, não se rende, não se prende nesse medo de errar, que é errando que se aprende que o caminho até parece complicado e às vezes tão difícil que você se surpreende quando sente de repente que era tudo muito simples - vai em frente que você entende. Boa sorte, firme e forte, vai com a força da mente. Vai sabendo que não há nenhum peso que você não agüente. Vai na marra, vai na garra, vai em frente. E se agarra no seu sonho com unhas e dentes. Pra saber o que é possível é preciso que se tente conseguir o impossível, então tente! Sempre alimente a esperança de vencer. Só duvide de quem duvida de você.”
— Gabriel, O Pensador
(Source: embriagar-se, via c-l-a-r-e-a-r)
— E o que a gente vira quando vai embora de alguém?
E o Senhor respondeu:
— Uns viram pó. Outros caem igual estrela do céu. Outro só viram a esquina… E têm aqueles que nunca vão embora.
— Não? E eles ficam onde, Senhor?
— Na lembrança.
Caio Fernando de Abreu
(Source: so-quotes, via quesejadoce-sempre)
“Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a idéia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz!”
Caio Fernando Abreu
(Source: a-desajustada)
A volta do jardineiro.
Há aquele gostinho de “quero mais”, que fica logo após a despedida e o último beijo do dia, insistindo em me fazer sentir saudades mais ou menos seis segundos depois que seu lento caminhar dobrou a esquina. Toda vez que fecho os olhos, a lembrança da sua doce voz sussurrando frases feitas no escuro, me vem à mente, trazendo consigo aquela vontade de sorrir e as cócegas no estômago. Pela janela observo a lua refletindo o brilho dos teus olhos, sinto que estás a me vigiar de longe e que aquele beijo que jogo no escuro, você recebe com o peito em disparada. Teu perfume propaga-se pelo vácuo do meu quarto e no espaço vazio da cama, lembro-me do teu corpo e o encaixe perfeito que se faz contra o meu. Um par de olhos fotográficos e hipnotizantes, daqueles que não se esquece e que não se deseja esquecer. Ah, como pode aparecer por entre meio as flores mortas de um jardim exausto e fazer com que novos brotos surgissem entre as folhas jogadas ao chão? Um jardineiro novo tomando conta do seu pedaço de terra. O quão calmante é as suas mãos macios contra o meu rosto, fazendo-me frio na espinha e uma nova flor brotar dentro do peito? Não imagina… Não imagina.
Mas, principalmente, de gente sem graça, sem sal, sem veneno, sem beleza e sem loucura. —Tati Bernardi
(Source: quot3s)
“De ontem em diante serei o que sou no instante agora. Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa, sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada são coisas distintas separadas pelo canto de um galo velho, eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho do versículo e da profecia. Quem surgiu primeiro? O antes, o outrora, a noite ou o dia? Minha vida inteira é meu dia inteiro. Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro! Minha mochila de lanches? É minha marmita requentada em banho Maria! Minha mamadeira de leite em pó, é cerveja gelada na padaria. Meu banho no tanque? É lavar carro com mangueira e se antes um pedaço de maçã, hoje quero a fruta inteira e da fruta tiro a polpa… Da puta tiro a roupa, da luta não me retiro me atiro do alto e que me atirem no peito. Da luta não me retiro…Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem.”
— O Teatro Mágico
(Source: vislumbro, via escritosdaalma)
“Que eu continue com vontade de viver, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, uma lição difícil de ser aprendida. Que eu permaneça com vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que com as voltas do mundo eles vão indo embora de nossas vidas. Que eu realimente sempre a vontade de ajudar as pessoas mesmo sabendo que muitas delas são incapazes dever, sentir, entender ou utilizar essa ajuda. Que eu mantenha meu equilíbrio mesmo sabendo que muitas coisas que vejo no mundo escurecem meus olhos. Que eu realimente a minha garra, mesmo sabendo que a derrota e a perdasão ingredientes tão fortes quanto sucesso e a alegria. Que eu atenda sempre mais à minha intuição, que sinaliza o que de mais autêntico eu possuo. Que eu pratique mais o sentimento de justiça mesmo em meio à turbulência dos interesses. Que eu manifeste amor por minha família, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige muito para manter sua harmonia. E acima de tudo que eu lembre sempre que todos nós fazemos parte dessa maravilhosa teia chamada vida criada por alguém bem superior a todos nós. E que as grandes mudanças não ocorrem por grandes feitos de alguns e sim nas pequenas parcelas cotidianas de todos nós.”
— Chico Xavier
(Source: eles-dizem, via mabele)